Skip to Content

Avaliação c/ suporte digital

Que tipo de avaliação (instrumento)?

O suporte digital introduz meios novos de interação professor/aluno. 

Plataformas especializadas (como a APRENDER) em formatos de perguntas tradicionais, com recolha híbrida (mista) de respostas, podem facilitar a gestão de recursos, a diversidade de questões e, ao mesmo tempo, incrementar a equidade, a inclusão e melhorar o desempenho, quando usadas de forma regular, controlada e pedagógica, gerando feedback e feedforward úteis e personalizados.

A avaliação digital adequada aumenta a aprendizagem porque melhora a avaliação ao aumentar a diversidade de perguntas, de contextos, de meios de comunicação e, principalmente, feedback e feedforward de qualidade e quase em tempo real.

Para ser adequada, tem de fazer solicitações aos alunos para tarefas com valor pedagógico, de construção e de expressão, tornando crucial que seja capaz de recolher o produto das tarefas analógicas (respostas escritas, desenhos) ou um registo de imagem estática ou dinâmica (montagens, experiências).

Melhoria de quê ou porquê?

Uma parte (significativa) dos alunos manifesta dificuldades de leitura e de interpretação de enunciados, principalmente se forem longos ou com várias ideias articuladas. Esta dificuldade é transversal a qualquer suporte, papel ou digital.

No entanto, muitos conseguem níveis maiores de foco na leitura quando usam dispositivos digitais, talvez pelo hábito, talvez pelo estímulo que consegue sobrepor-se a outros distrativos.

Pela necessidade de implementar estratégias de ensino mais eficazes em grupos de alunos com mais dificuldades, disponibilizaram-se atividades que podiam ser desenvolvidas no telemóvel ou no computador portátil (sem ser o ideal, muitas vezes, o telemóvel é a única salvaguarda para a dinamização deste tipo de atividades)...

Constatou-se que os níveis de concentração e de persistência dos alunos nas atividades tendia a aumentar, ainda que as tarefas fossem exatamente as mesmas que poderiam ser realizadas em papel.

Apesar de se verificarem melhorias na avaliação contínua e formativa registada no suporte digital, na realização de testes em papel (validação das aprendizagens) os alunos falhavam mais, perdendo-se a oportunidade de criar um ciclo de reforço positivo e, pelo contrário, levando à frustração e ao antagonismo para estratégias de avaliação.

Ora, a avaliação deve ser encarada como uma oportunidade de se mostrar o que se sabe!

Podia falar-se de inclusão, de medidas universais ou de outros enquadramentos normativos, que só por si já poderiam justificar, mas vamos manter o foco nas melhorias evidenciadas...

Resultados e evidências 

Muitos alunos propuseram reavaliar com suporte digital conteúdos anteriores, onde tinham tido maus resultados, a fim de poderem mostrar que dessa forma seriam mais capazes.

No final do processo, manifestaram a sua opinião num pequeno inquérito.

Num misto de solicitação espontânea e de proposta intencional, alguns alunos puderam realizar os mesmos testes que os colegas, mas no computador, entregando as respostas longas em papel (posteriormente digitalizadas e integradas no enunciado digital).

O número de alunos interessado no suporte digital aumentou e, no final do ano, as turmas envolvidas realizaram os testes apenas em suporte digital.

Perante a evidente melhoria, as atitudes tenderam a mudar e os alunos, voluntariamente, reavaliaram conteúdos anteriores a fim de estenderem os níveis de desempenho.

Este processo foi sendo partilhado e acompanhado na Equipa de Educação Digital a fim de se compreender, de se aprender e de sistematizar conhecimento que possa ser útil e pedagógico. 

Não pode tratar-se de modas ou de preconceitos, as alterações de práticas devem sustentar-se em evidências racionais e, principalmente, em resultados e melhores aprendizagens.

Fatores a considerar

O suporte digital para a avaliação não está isenta de discussões onde são usados argumentos de natureza distinta e, por vezes, antagónica.

Há que considerar fatores como "condições técnicas e de ligação à Internet", associação à "avaliação externa" ou a "má utilização" para se proceder com a devida ponderação e acautelar-se que este seja um meio racional, eficiente e eficaz.

A aplicação dos mesmos procedimentos numa turma em que a ligação à Internet falhou e o filtro de conteúdos interferiu no carregamento das páginas, foi suficiente para transformar uma experiência rotineira numa má experiência.

Tal como anteriormente se pode inferir que boas experiências tendem a repercutir-se positivamente noutros processos, as más experiências também têm efeitos que vão para além dos episódios pontuais.

Nos dados abaixo pode verificar-se como as opiniões se tornaram tendencialmente mais negativas.

No entanto, apesar dos constrangimentos, o que concorre diretamente para o feedback e feedforward, ou seja, receber avaliação mais rápido e contextualizada junto das respostas dadas continuou a ser claramente valorizado pelos alunos.